Siga para o Norte! Qual Norte?

Na navegação, utilizamos instrumentos cada vez mais sofisticados, como o GPS, capaz de oferecer precisão inferior a um metro. Em pleno oceano, essa diferença é praticamente desprezível e nos permite chegar ao destino com segurança, evitando colisões e desvios significativos.

Entretanto, existe um equipamento obrigatório, analógico, independente de baterias e totalmente confiável: a bússola. Por décadas — e até séculos — ela tem guiado navegadores, exploradores e pilotos em terra, mar e ar, sem exigir manutenção complexa ou possuir uma “vida útil” limitada. Em situações críticas, é a bússola que nos tira de locais onde poderíamos estar completamente perdidos. Quando acompanhada de um mapa ou carta náutica, torna-se uma ferramenta indispensável.

Seu funcionamento é simples: uma agulha imantada se alinha naturalmente ao norte magnético da Terra. A partir disso, com o conhecimento da rosa dos ventos, dos graus, minutos e segundos, e das divisões do instrumento, podemos nos orientar de dia ou de noite para qualquer direção.

Mas navegar não é apenas “seguir a agulha”. Existe matemática, física e correções fundamentais por trás da direção indicada pela bússola. Essa diferença ocorre devido à declinação magnética, resultado de fatores geológicos, variações do campo magnético terrestre e do deslocamento dos polos ao longo dos anos. A declinação altera significativamente o rumo que devemos seguir, mesmo quando a agulha aponta para o norte.

É por isso que, na prática, trabalhamos com dois tipos de norte:

  • Norte Magnético: É o norte para onde a bússola aponta. Ele depende do campo magnético da Terra e muda de posição ao longo dos anos.
  • Norte Verdadeiro (ou Geográfico): É o Polo Norte real, fixo, usado em mapas, cartas náuticas e sistemas de navegação como o GPS.

A diferença angular entre eles é a declinação magnética, que deve ser sempre considerada para que o rumo indicado pela bússola corresponda ao rumo real necessário para chegar ao destino.

Para qual norte o navegador deve seguir?

O navegador deve sempre seguir o Norte Verdadeiro, não o Norte Magnético. A bússola aponta para o norte magnético, mas a rota correta é traçada em relação ao norte verdadeiro, que é o norte representado nas cartas náuticas.

Como o navegador faz isso usando a carta náutica?

Consulta a carta náutica Toda carta traz, no seu quadro de informações, a declinação magnética da região — geralmente indicada assim: Declinação: 3°W (2024), variação anual 0,1°E.

Aplica a correção da declinação A declinação diz quanto o norte magnético está deslocado em relação ao norte verdadeiro.

  • Se a declinação é Leste (E) → subtrai da leitura da bússola.
  • Se a declinação é Oeste (W) → soma à leitura da bússola.
Isso transforma o rumo magnético (o que a bússola mostra) em rumo verdadeiro (o que a carta exige).

Traça o rumo verdadeiro na carta Com o valor corrigido, o navegador usa o transferidor náutico ou o compasso de navegação para marcar o rumo em relação ao norte verdadeiro, que é o norte das linhas verticais da carta.

Conduz a embarcação usando a bússola Depois de corrigir o rumo na carta, o navegador converte novamente para rumo magnético (se necessário) e segue pela bússola — agora com a certeza de que está indo na direção correta.

Sobre o Autor – Robson Simões

Robson Simões é técnico em construção naval (CRT/CRF) com sólida atuação no setor náutico, reunindo experiência prática e conhecimento técnico especializado. Sua formação e trajetória o destacam na elaboração de projetos de embarcações, perícias técnicas e laudos especializados voltados tanto para embarcações quanto para instalações destinadas à construção naval.

Atuando diretamente nos processos de regulamentação e registro de embarcações junto aos órgãos da Marinha do Brasil, assegurando conformidade normativa, segurança operacional e atendimento às exigências legais, além de possuir ampla experiência na manutenção e no reparo de equipamentos náuticos, oferecendo suporte técnico essencial para a operação segura e eficiente de embarcações de diversos portes e finalidades.

No barco cada parte tem seu nome e cada nome um significado

Em um barco, cada parte tem um nome específico — e cada nome carrega um significado próprio. Para quem navega, seja Arrais, Mestre ou Capitão, dominar essa terminologia não é apenas uma questão de conhecimento: é uma necessidade operacional. O mesmo vale para a tripulação, responsável pelo atendimento e pelo funcionamento geral da embarcação, e também para construtores, técnicos e engenheiros navais.

Usar os termos corretos evita erros de comunicação, reduz o risco de acidentes e garante que construções, reparos e manutenções sejam realizados exatamente no local certo.

Antes de avançarmos com novos conteúdos aqui no site, é essencial que o leitor esteja familiarizado com essas partes e seus respectivos nomes. Assim, você aproveita melhor cada matéria e navega com mais segurança e confiança

Nome Descrição
Proa É a extremidade anterior da embarcação (avante), seria a frente.
Popa É a extremidade posterior da embarcação (à ré), a parte de trás.
Bordos São as duas partes simétricas em que o casco, corpo principal da embarcação, é dividido por um plano vertical da linha da proa até a popa.
Boreste Bordo direito da embarcação, representado pela sigla BE (cor verde).
Bombordo Bordo esquerdo da embarcação, representado pela sigla BB (cor encarnada). Em náutica, usa-se a palavra encarnado para se referir à cor vermelha.
Bochecha São as partes curvas do costado da embarcação, próximas à proa.
Través Direção aproximada ao meio do navio.
Alheta Partes do costado de um bordo e de outro, entre o través e a popa.
Obras vivas ou Carena É a parte do costado da embarcação que fica abaixo da linha d’água. A quilha, bolina, leme e demais partes que ficam sob a água são consideradas obras vivas.
Obras mortas É tudo o que fica acima da linha d’água: convés, casario, passadiços, cabines, mastro, antenas, chaminés, escotilhas, janelas, torre de comando etc.
Borda livre É a altura que vai da linha de flutuação até a borda da embarcação.
Comprimento total É o comprimento total do casco, de roda a roda, excluídos eventuais suplementos como plataforma e pranchas.
Convés São os pavimentos onde circulam os tripulantes e passageiros.
Calado Medida entre a linha de flutuação ou linha d’água de projeto até a parte mais baixa da embarcação, podendo haver calado máximo e calado mínimo. Curiosidade: devido à densidade da água, causada pela salinidade e outros fatores, quando se navega do mar para os rios o calado tende a aumentar, e quando se sai dos rios para o mar o calado diminui.

Sobre o Autor:

Robson Simões é técnico em construção naval, atuando há anos no desenvolvimento de projetos, elaboração de laudos técnicos, realização de perícias, acompanhamento de manutenção e gestão de documentação náutica. Seu trabalho inclui a interface direta com os órgãos marítimos, garantindo a correta regularização, vistoria e registro de embarcações.

Com experiência prática e conhecimento técnico aprofundado, Robson dedica-se a traduzir temas complexos da área naval em conteúdos acessíveis, úteis e confiáveis para navegadores, profissionais do setor e apaixonados pelo mundo náutico.

O que são as bochechas de uma embarcação

Na construção e na terminologia náutica, bochecha é o nome dado à parte lateral curvas do costado de um bordo e de outro, próximas à proa de um barco, localizada logo abaixo do convés e junto à roda de proa. Essa região é responsável por dar forma arredondada à frente da embarcação, contribuindo para a hidrodinâmica e para a resistência estrutural do casco.

As bochechas são áreas que recebem diretamente o impacto das ondas e, por isso, precisam ser reforçadas na construção naval. Em embarcações de madeira, eram peças fundamentais para unir o costado à roda de proa, garantindo solidez e durabilidade. Já nos barcos modernos, mesmo com materiais como fibra de vidro ou alumínio, o termo continua sendo usado como referência técnica e de manutenção.

Em resumo, as bochechas representam a transição entre o costado e a proa, desempenhando papel essencial tanto na forma quanto na robustez da embarcação.

  • Bochecha de bombordo: é o lado esquerdo da proa, visto de dentro do barco olhando para frente
  • Bochecha de boreste: é o lado direito da proa, na mesma referencia

Bombordo e Boreste: Entenda os Lados da Embarcação

No universo náutico, cada detalhe importa — e saber diferenciar os lados de uma embarcação é essencial para a segurança e a comunicação a bordo. Dois termos fundamentais nesse contexto são bombordo e boreste, usados internacionalmente para indicar os lados esquerdo e direito de um barco. Embora pareçam simples, esses conceitos carregam história, tradição e importância prática na navegação.

Bombordo

  • Definição: Bombordo é o lado esquerdo da embarcação, sempre considerando a visão de quem olha para a proa (frente do barco).
  • Cor associada: Vermelha, utilizada nas luzes de navegação noturna.
  • Origem: Deriva do termo holandês bakboord, incorporado ao português como “bombordo”.
  • Uso prático: Ao receber a ordem “virar a bombordo”, o timoneiro deve direcionar o barco para o lado esquerdo.

Boreste

  • Definição: Boreste é o lado direito da embarcação, também considerando a visão voltada para a proa.
  • Cor associada: Verde, usada nas luzes de navegação noturna.
  • Origem: A Marinha do Brasil adotou “boreste” em 1884 para substituir “estibordo”, evitando confusões sonoras com “bombordo”.
  • Uso prático: “Atracar a boreste” significa encostar o barco pelo lado direito.
Termo Lado da embarcação Cor de navegação Equivalente em inglês
Bombordo Esquerdo (olhando para a proa) Vermelho Port
Boreste Direito (olhando para a proa) Verde Starboard