Compensado Naval para construção de embarcações.

Quando pensamos em barcos, é comum imaginarmos aqueles imensos navios de aço ou os impressionantes transatlânticos de cruzeiro que, nos meses de verão, chegam à nossa costa e despertam fascínio. No entanto, a construção de embarcações é uma prática muito mais antiga: remonta a mais de 50 mil anos, com evidências arqueológicas datadas de cerca de 6500 a.C. na Europa.

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Ao longo dessa longa trajetória, diversos povos utilizaram os materiais que tinham à disposição. Desde as embarcações de junco do antigo Egito, passando pela tup peruana, pelas jangadas de bambu presentes em várias culturas, até os navios dos Vikings, Gregos, Romanos e dos exploradores Portugueses e Espanhóis, um material sempre se destacou: a madeira.

Seja em sua forma bruta, em tábuas ou em placas cuidadosamente trabalhadas, a madeira permanece como o material mais versátil e amplamente empregado na navegação ao longo da história. Sua combinação de resistência, leveza e facilidade de modelagem garantiu seu uso contínuo por milhares de anos — e ainda hoje ela ocupa um papel fundamental na construção naval tradicional e moderna.

No entanto, esse material bruto, apesar de extremamente versátil, torna-se cada vez mais escasso, e o custo de pranchas de madeira de boa qualidade já é impraticável para a construção naval moderna. A madeira bruta tornou-se um recurso “raro” por diversos fatores, entre eles o longo período necessário para que a árvore atinja a maturidade adequada para o corte, garantindo densidade, resistência e estabilidade dimensional — características essenciais para seu uso estrutural em embarcações.

Os avanços tecnológicos permitiram superar esse desafio. Hoje contamos com materiais compostos e madeiras tratadas com antifúngicos, inseticidas e resinas especiais, o que possibilita que espécies menos nobres — antes inadequadas para a construção naval — sejam amplamente utilizadas na fabricação de embarcações. Esse processo reduz drasticamente os custos em comparação com a madeira bruta tradicional, tornando a produção mais acessível, eficiente e sustentável.

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Estamos falando do compensado naval.

Estima-se que mais de 70% das embarcações modernas utilizem esse material, o que evidencia sua relevância no setor náutico.

O compensado naval é formado por lâminas de madeira coladas sob pressão, especialmente selecionadas para resistir à umidade, variações climáticas e esforços estruturais. Sua aplicação na construção de embarcações é fundamental, pois combina leveza, rigidez e resistência mecânica, características indispensáveis para um casco eficiente e seguro.

Além de sua durabilidade e excelente comportamento em ambientes úmidos, o compensado naval contribui para a performance da embarcação, reduzindo peso, facilitando reparos e garantindo maior vida útil às estruturas. Por isso, tornou-se um dos materiais mais valorizados na construção naval moderna, unindo praticidade, segurança e ótimo desempenho sobre o espelho d’água.

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Há diversas formas de utilizar o compensado naval na construção de embarcações. No casco, por exemplo, ele oferece leveza, resistência à água, facilidade de manuseio e moldagem, além de apresentar um excelente custo-benefício. Já nas estruturas internas, o compensado naval se destaca por sua resistência à flexão, boa capacidade de moldabilidade e estabilidade estrutural, permitindo otimizar espaços e garantir maior eficiência no arranjo interno da embarcação.

Além disso, o compensado naval pode ser utilizado na confecção de plataformas de pesca, oferecendo superfícies estáveis, alta durabilidade em ambientes úmidos, boa capacidade de carga e resistência a impactos. Também é amplamente empregado na fabricação de caixas de armazenamento e outros componentes internos das embarcações.

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Outro ponto importante é sua contribuição para a sustentabilidade: muitos compensados navais são produzidos com madeira certificada, e estudos indicam que o uso de madeira de reflorestamento pode reduzir significativamente a pegada de carbono na construção naval.

Para auxiliar na escolha adequada, o mercado disponibiliza tabelas e classificações que orientam sobre os diferentes tipos de compensado utilizados na indústria náutica, facilitando a seleção conforme a aplicação e o desempenho desejado.

Critério Compensado Naval Compensado Marítimo Performance Indicação
Aplicações Construção de barcos de diferentes portes Indústria naval e construção civil Longa duração em ambientes úmidos Ideal para ambientes marinhos
Resistência Elevada resistência à água Maior resistência a fungos e umidade Alta performance em climas adversos Construções leves e robustas
Dimensões Comuns Variando de 4mm a 25mm Espessuras variadas conforme necessidade Personalização de acordo com projeto Disponível em tamanhos padrão
Custo Geralmente mais acessível Pode ser mais caro devido ao tratamento Investimento em qualidade Custo-benefício em longo prazo
Manutenção Fácil de manter com revestimentos adequados Requer cuidados para evitar danos Resistência facilitando manutenção Tratamento regular para longevidade

Sobre o Autor – Robson Simões

Robson Simões é técnico em construção naval (CRT/CRF) com sólida atuação no setor náutico, reunindo experiência prática e conhecimento técnico especializado. Sua formação e trajetória o destacam na elaboração de projetos de embarcações, perícias técnicas e laudos especializados voltados tanto para embarcações quanto para instalações destinadas à construção naval.

Atuando diretamente nos processos de regulamentação e registro de embarcações junto aos órgãos da Marinha do Brasil, assegurando conformidade normativa, segurança operacional e atendimento às exigências legais, além de possuir ampla experiência na manutenção e no reparo de equipamentos náuticos, oferecendo suporte técnico essencial para a operação segura e eficiente de embarcações de diversos portes e finalidades.

Plano de Linhas o que é?

Para quem não vive o dia a dia do mundo náutico ou da construção naval, compreender certos termos usados por navegadores, construtores e técnicos pode ser um verdadeiro desafio. Nosso vocabulário é próprio, repleto de expressões em inglês, palavras de um português quase arcaico e até dialetos que parecem ter saído diretamente de alguma obra de Camões. Esse conjunto forma o idioma náutico, utilizado para descrever partes, ajustes e características de uma embarcação — tanto em sua concepção quanto no momento de conduzi-la sobre o espelho d’água.

Entre os termos que mais causam estranhamento está o plano de linhas. Ele costuma gerar grande confusão entre iniciantes na construção naval. Na prática, o plano de linhas nada mais é do que a representação gráfica, em duas dimensões, das formas do casco (hull, em inglês) e do convés.

Quando surge a ideia — ou o pedido de um cliente — para iniciar o projeto de uma embarcação, a primeira etapa do desenvolvimento é a elaboração das vistas ortogonais. Essa fase tem como objetivo representar graficamente as principais características da forma do casco, permitindo ao projetista visualizar e analisar suas linhas fundamentais.

Para isso, utilizamos três planos de projeção que, juntos, compõem o chamado plano de linhas:

  • Plano Vertical (Perfil) – mostra a embarcação vista de lado, revelando o contorno longitudinal do casco.
  • Plano Transversal (Cortes ou Seções) – apresenta os cortes perpendiculares ao eixo longitudinal, essenciais para entender o formato das cavernas.
  • Plano das Balizas (Planta ou Vista Superior) – exibe o casco visto de cima, permitindo observar a largura, o arruamento e a distribuição das formas ao longo do comprimento.

Essas três projeções, quando analisadas em conjunto, fornecem a base geométrica necessária para o desenvolvimento do casco, garantindo que suas linhas sejam harmoniosas, eficientes e adequadas ao tipo de navegação para o qual a embarcação está sendo projetada.

Conclusão sobre o Plano de Linhas de uma Embarcação

O plano de linhas é a espinha dorsal de qualquer projeto naval. Ele reúne, de forma organizada e precisa, as três projeções fundamentais — perfil, planta e seções transversais — que permitem compreender integralmente a geometria do casco. A partir dessas vistas, o projetista consegue avaliar a fluidez das formas, a distribuição dos volumes, o comportamento hidrodinâmico e a harmonia geral da embarcação.

Mais do que um simples desenho técnico, o plano de linhas é uma ferramenta de análise e decisão. É nele que se identificam eventuais descontinuidades, se ajustam curvas, se otimizam áreas molhadas e se define a relação entre estabilidade, velocidade, capacidade de carga e eficiência. Cada linha traçada representa uma escolha de engenharia que influenciará diretamente o desempenho da embarcação no mar, no rio ou no lago.

Com o avanço dos softwares de modelagem naval, o plano de linhas deixou de ser apenas um conjunto de curvas desenhadas à mão e passou a integrar modelos tridimensionais complexos. Ainda assim, seu princípio permanece o mesmo: traduzir a forma do casco em projeções compreensíveis, permitindo que construtores, engenheiros e navegadores falem a mesma língua.

Em resumo, dominar o plano de linhas é dominar a base da arquitetura naval. Ele é o ponto de partida para qualquer embarcação bem projetada, garantindo que o casco cumpra sua função com segurança, eficiência e elegância sobre o espelho d’água.

Sobre o Autor – Robson Simões

Robson Simões é técnico em construção naval (CRT/CRF) com sólida atuação no setor náutico, reunindo experiência prática e conhecimento técnico especializado. Sua formação e trajetória o destacam na elaboração de projetos de embarcações, perícias técnicas e laudos especializados voltados tanto para embarcações quanto para instalações destinadas à construção naval.

Robson tem atuado diretamente nos processos de regulamentação e registro de embarcações junto aos órgãos da Marinha do Brasil, assegurando conformidade normativa, segurança operacional e atendimento às exigências legais, além de possuir ampla experiência na manutenção e no reparo de equipamentos náuticos, oferecendo suporte técnico essencial para a operação segura e eficiente de embarcações de diversos portes e finalidades.

Introdução à Hidrostática na construção naval

A Hidrostática, ramo da Física que estuda o comportamento dos fluidos em repouso, desempenha um papel fundamental na construção naval. É a partir dos princípios hidrostáticos que engenheiros e projetistas, técnicos em construção naval conseguem compreender como a água interage com o casco de uma embarcação, garantindo que ela flutue, mantenha estabilidade e suporte cargas com segurança. Conceitos como densidade, pressão hidrostática e empuxo são essenciais para determinar desde o formato ideal do casco até a distribuição de peso a bordo.

Na prática, a Hidrostática permite prever como um navio se comportará em diferentes condições de carregamento, qual será sua linha de flutuação, como responderá a variações de profundidade e de salinidade, e quais forças atuarão sobre sua estrutura. Sem esse conhecimento, seria impossível projetar embarcações seguras, eficientes e capazes de navegar longas distâncias. Por isso, a Hidrostática é uma das bases científicas mais importantes da engenharia naval, sustentando decisões que impactam diretamente a segurança, o desempenho e a durabilidade de qualquer tipo de embarcação.

Entre essas propriedades, destacam‑se três como fundamentais: densidade, pressão e empuxo. Chamamos de fluido qualquer substância capaz de assumir o formato do recipiente em que se encontra, alterando sua forma quando submetida a forças externas.

A densidade é um parâmetro essencial, pois indica a quantidade de matéria presente em um determinado volume de fluido. No Sistema Internacional de Unidades (SI), a densidade é expressa em quilogramas por metro cúbico (kg/m³).

A pressão hidrostática corresponde à força exercida por um fluido em repouso sobre uma superfície, dividida pela área dessa superfície. Quanto maior a profundidade de um corpo imerso, maior será a pressão que ele sofre. No SI, a unidade de pressão é o pascal (Pa), equivalente a 1 newton por metro quadrado (N/m²).

O empuxo é a força que todo fluido exerce sobre os corpos nele mergulhados. É essa força que faz bolhas de gás subirem em bebidas gaseificadas e que permite que objetos como cortiças, navios e cubos de gelo flutuem na água. O empuxo é descrito pelo Princípio de Arquimedes, e sua unidade no SI é o newton (N).

Sobre o Autor:

Robson Simões é técnico em construção naval, atuando há anos no desenvolvimento de projetos, elaboração de laudos técnicos, realização de perícias, acompanhamento de manutenção e gestão de documentação náutica. Seu trabalho inclui a interface direta com os órgãos marítimos, garantindo a correta regularizaçãovistoria e registro de embarcações.

Com experiência prática e conhecimento técnico aprofundado, Robson dedica-se a traduzir temas complexos da área naval em conteúdos acessíveis, úteis e confiáveis para navegadores, profissionais do setor e apaixonados pelo mundo náutico.

No barco cada parte tem seu nome e cada nome um significado

Em um barco, cada parte tem um nome específico — e cada nome carrega um significado próprio. Para quem navega, seja Arrais, Mestre ou Capitão, dominar essa terminologia não é apenas uma questão de conhecimento: é uma necessidade operacional. O mesmo vale para a tripulação, responsável pelo atendimento e pelo funcionamento geral da embarcação, e também para construtores, técnicos e engenheiros navais.

Usar os termos corretos evita erros de comunicação, reduz o risco de acidentes e garante que construções, reparos e manutenções sejam realizados exatamente no local certo.

Antes de avançarmos com novos conteúdos aqui no site, é essencial que o leitor esteja familiarizado com essas partes e seus respectivos nomes. Assim, você aproveita melhor cada matéria e navega com mais segurança e confiança

Nome Descrição
Proa É a extremidade anterior da embarcação (avante), seria a frente.
Popa É a extremidade posterior da embarcação (à ré), a parte de trás.
Bordos São as duas partes simétricas em que o casco, corpo principal da embarcação, é dividido por um plano vertical da linha da proa até a popa.
Boreste Bordo direito da embarcação, representado pela sigla BE (cor verde).
Bombordo Bordo esquerdo da embarcação, representado pela sigla BB (cor encarnada). Em náutica, usa-se a palavra encarnado para se referir à cor vermelha.
Bochecha São as partes curvas do costado da embarcação, próximas à proa.
Través Direção aproximada ao meio do navio.
Alheta Partes do costado de um bordo e de outro, entre o través e a popa.
Obras vivas ou Carena É a parte do costado da embarcação que fica abaixo da linha d’água. A quilha, bolina, leme e demais partes que ficam sob a água são consideradas obras vivas.
Obras mortas É tudo o que fica acima da linha d’água: convés, casario, passadiços, cabines, mastro, antenas, chaminés, escotilhas, janelas, torre de comando etc.
Borda livre É a altura que vai da linha de flutuação até a borda da embarcação.
Comprimento total É o comprimento total do casco, de roda a roda, excluídos eventuais suplementos como plataforma e pranchas.
Convés São os pavimentos onde circulam os tripulantes e passageiros.
Calado Medida entre a linha de flutuação ou linha d’água de projeto até a parte mais baixa da embarcação, podendo haver calado máximo e calado mínimo. Curiosidade: devido à densidade da água, causada pela salinidade e outros fatores, quando se navega do mar para os rios o calado tende a aumentar, e quando se sai dos rios para o mar o calado diminui.

Sobre o Autor:

Robson Simões é técnico em construção naval, atuando há anos no desenvolvimento de projetos, elaboração de laudos técnicos, realização de perícias, acompanhamento de manutenção e gestão de documentação náutica. Seu trabalho inclui a interface direta com os órgãos marítimos, garantindo a correta regularização, vistoria e registro de embarcações.

Com experiência prática e conhecimento técnico aprofundado, Robson dedica-se a traduzir temas complexos da área naval em conteúdos acessíveis, úteis e confiáveis para navegadores, profissionais do setor e apaixonados pelo mundo náutico.

O que são as bochechas de uma embarcação

Na construção e na terminologia náutica, bochecha é o nome dado à parte lateral curvas do costado de um bordo e de outro, próximas à proa de um barco, localizada logo abaixo do convés e junto à roda de proa. Essa região é responsável por dar forma arredondada à frente da embarcação, contribuindo para a hidrodinâmica e para a resistência estrutural do casco.

As bochechas são áreas que recebem diretamente o impacto das ondas e, por isso, precisam ser reforçadas na construção naval. Em embarcações de madeira, eram peças fundamentais para unir o costado à roda de proa, garantindo solidez e durabilidade. Já nos barcos modernos, mesmo com materiais como fibra de vidro ou alumínio, o termo continua sendo usado como referência técnica e de manutenção.

Em resumo, as bochechas representam a transição entre o costado e a proa, desempenhando papel essencial tanto na forma quanto na robustez da embarcação.

  • Bochecha de bombordo: é o lado esquerdo da proa, visto de dentro do barco olhando para frente
  • Bochecha de boreste: é o lado direito da proa, na mesma referencia

Qual motor usar no meu caiaque?

Uma dúvida muito comum entre meus clientes é: é possível instalar um motor de popa em um caiaque? Outros querem saber qual seria o modelo mais indicado para esse tipo de embarcação.

A resposta é sim — é possível instalar um motor de popa em caiaques. Hoje já existem empresas que comercializam caiaques com kits específicos para instalação de motores. Em outros casos, é necessário fabricar ou adaptar peças para que a instalação seja feita de forma segura e eficiente.

O motor ideal para caiaques

A escolha do motor envolve alguns conceitos técnicos, cálculos e, claro, o quanto você está disposto a investir. Há uma grande variedade de marcas e modelos disponíveis, com diferentes potências em HP e sistemas de arrefecimento.

De modo geral, caiaques — pela sua estrutura e propósito — podem receber com segurança motores entre 2,0 HP a 5,0 HP. Essa faixa garante equilíbrio e estabilidade sem comprometer a segurança. Acima dessa potência, o que deveria ser diversão pode se transformar em risco, e isso definitivamente não é recomendado.

Particularmente, gosto muito dos motores da Toyama, uma empresa brasileira que fabrica em Curitiba/PR. São motores confiáveis, com boa performance e excelente custo-benefício para quem deseja equipar o caiaque sem abrir mão da segurança.

Qual motor indicar para caiaques?

Após a análise técnica e estrutural do caiaque — e confirmando que ele permite as adaptações necessárias para instalação dos acessórios — minha indicação é o Toyama TM3.6TS.

Trata-se de um motor de popa 2 tempos, com 3,6 HP de potência, ideal para caiaques que precisam de desempenho sem abrir mão da segurança. É leve, prático de montar e refrigerado a água, garantindo maior durabilidade. Possui marcha à frente e neutro, opera de forma relativamente silenciosa e pode ser utilizado tanto em águas doces quanto salgadas, inclusive em regiões rasas.

Principais características do TM3.6TS

  • Partida manual simples e confiável
  • Combustível: gasolina com óleo 2T na proporção 50:1
  • Tanque interno: capacidade de 1,5 L
  • Rabeta curta, ideal para caiaques e pequenas embarcações
  • Peso leve: apenas 14 kg, fácil de transportar e manusear
  • Manutenção acessível: peças disponíveis no Brasil, com suporte direto da fábrica

Onde encontrar

O TM3.6TS pode ser adquirido em diversos marketplaces, lojas de pesca e acessórios náuticos, sempre com um excelente custo-benefício.

Sobre o autor:
Robson Simões é Técnico em Construção Naval. Atua no desenvolvimento de projetos, manutenção, perícias e laudos, além de acompanhar a construção de embarcações dando assessorias e processos junto aos órgãos competentes para registro e legalização de embarcações e documentação náutica.

Bombordo e Boreste: Entenda os Lados da Embarcação

No universo náutico, cada detalhe importa — e saber diferenciar os lados de uma embarcação é essencial para a segurança e a comunicação a bordo. Dois termos fundamentais nesse contexto são bombordo e boreste, usados internacionalmente para indicar os lados esquerdo e direito de um barco. Embora pareçam simples, esses conceitos carregam história, tradição e importância prática na navegação.

Bombordo

  • Definição: Bombordo é o lado esquerdo da embarcação, sempre considerando a visão de quem olha para a proa (frente do barco).
  • Cor associada: Vermelha, utilizada nas luzes de navegação noturna.
  • Origem: Deriva do termo holandês bakboord, incorporado ao português como “bombordo”.
  • Uso prático: Ao receber a ordem “virar a bombordo”, o timoneiro deve direcionar o barco para o lado esquerdo.

Boreste

  • Definição: Boreste é o lado direito da embarcação, também considerando a visão voltada para a proa.
  • Cor associada: Verde, usada nas luzes de navegação noturna.
  • Origem: A Marinha do Brasil adotou “boreste” em 1884 para substituir “estibordo”, evitando confusões sonoras com “bombordo”.
  • Uso prático: “Atracar a boreste” significa encostar o barco pelo lado direito.
Termo Lado da embarcação Cor de navegação Equivalente em inglês
Bombordo Esquerdo (olhando para a proa) Vermelho Port
Boreste Direito (olhando para a proa) Verde Starboard

Preciso de Arrais para navegar com caiaque?

Um caiaque precisa que seu condutor seja habilitado?

Ao utilizar qualquer embarcação, é fundamental observar procedimentos básicos de segurança, tanto no embarque quanto durante a permanência a bordo. No caso do caiaque, isso inclui cuidados com estabilidade, uso correto dos equipamentos de propulsão (remos ou pedais) e atenção às regras de convivência nas áreas navegáveis, evitando colisões e situações de risco.

Como condutor, é esperado que se tenha noções de navegação, conhecimento das regras de preferência e manobrabilidade, além de respeito às normas de segurança aplicáveis. Esses princípios estão alinhados com a LESTA (Lei nº 9.537/1997) e com as Normas da Autoridade Marítima (NORMAM), que regulam o tráfego aquaviário no Brasil.

No entanto, não é exigida habilitação específica para conduzir caiaques em águas abrigadas, desde que a propulsão seja exclusivamente humana (remo ou pedal) ou à vela. Nesses casos, também não há necessidade de registro da embarcação junto à Capitania dos Portos.

Situação diferente ocorre quando o caiaque recebe motor — mesmo que seja um pequeno motor elétrico. Nesse cenário:

  • O caiaque passa a ser considerado embarcação motorizada.
  • É obrigatório o registro junto à Capitania dos Portos da região.
  • O condutor deve possuir a habilitação de Arrais-Amador, que autoriza a condução de embarcações de esporte e recreio em águas interiores.

Observações importantes

  • A NORMAM-03/DPC trata das embarcações de esporte e recreio e é a principal referência para esse tipo de situação.
  • A NORMAM-02/DPC aborda o tráfego aquaviário em geral, incluindo regras de segurança e conduta.
  • Especialistas destacam que, mesmo sem exigência de habilitação para caiaques sem motor, é altamente recomendável que o condutor tenha conhecimento básico de navegação e segurança, além de portar equipamentos obrigatórios como colete salva-vidas.
  • Em áreas de maior tráfego (rios movimentados, marinas, baías), a prudência exige atenção redobrada, pois o caiaque é embarcação de pequeno porte e mais vulnerável.

Conclusão

Portanto, não é necessário possuir Arrais-Amador ou qualquer outra habilitação para conduzir caiaques sem motor ou utilizando vela, nem registrar a embarcação. Mas, ao instalar motor, mesmo elétrico, o caiaque passa a ser regulado como embarcação motorizada, exigindo registro e habilitação. A regra é clara: propulsão humana ou vela dispensa habilitação; propulsão mecânica exige habilitação e registro.

Proa Técnica Naval!

A Proa Técnica Naval é uma iniciativa do Técnico em Construção Naval e Perito Robson Simões, especializado em manutenção, emissão de laudos, documentação e suporte ao setor naval e fluvial. Atendemos embarcações, pequenos estaleiros, empresas e também pessoas físicas ou jurídicas que necessitam de orientação e apoio na manutenção, regularização e elaboração de laudos técnicos de seus projetos ou embarcações.

Nosso trabalho vai além da execução de serviços: cada atividade é realizada considerando não apenas os requisitos técnicos e jurídicos, mas também os aspectos ambientais e regulatórios previstos nas NORMAM, junto à Marinha e Capitania dos Portos.

⚖️ Serviços Administrativos e junto aos Órgãos

  • Inscrição e registro de embarcações
  • Regularização de documentos e habilitação náutica
  • Elaboração de projetos de embarcações
  • Regularização de obras
  • Renovação de TIE
  • Alteração de motorização
  • Alteração da área de navegação
  • Transferência de propriedade

🔧 Serviços Técnicos

  • Manutenção de estruturas navais e fluviais
  • Adequação de materiais visando qualidade, resistência e economia
  • Participação em programas de melhoria da qualidade
  • Análise de aspectos técnicos, econômicos e sociais da Construção Naval
  • Orientação, acompanhamento e controle das etapas de execução das instalações
  • Testes de velocidade e segurança das embarcações
  • Organização de pequenos estaleiros (organogramas)
  • Análise das interfaces entre indústrias e estaleiros
  • Controle da qualidade estética, estrutural e dos prazos de execução
  • Emissão de relatórios das atividades de construção naval
  • Aplicação de ferramentas e softwares especializados
  • Elaboração de manuais técnicos e de boas práticas
  • Emissão de laudos técnicos e periciais
  • Vistorias em embarcações, estaleiros e companhias de navegação
  • Treinamentos técnicos

⚙️ Serviços de Manutenção

  • Processos técnicos para corte, colagem, lixamento, conformação, dobra e modelagem de madeira, compósitos plásticos, aço e alumínio
  • Manutenção preventiva e corretiva
  • Instalação de equipamentos e dispositivos
  • Manutenção de motores de popa

📑 Importante

O Técnico em Construção Naval possui competência legal para exercer a função de Perito perante órgãos públicos e privados, elaborando laudos de vistoria, avaliação, arbitramento e consultoria, conforme estabelecido no Decreto nº 90.922 de 6 de fevereiro de 1985 e no artigo 156 do Código de Processo Civil.